Ele chegou em meados de 2008, logo depois das Olimpíadas de Pequim, em uma época que as coisas estavam se reestruturando no beira-rio e o Inter se acostumava a ser "Gigante". Sem muita novela ele desembarcou no Salgado Filho de jaqueta de couro como um típico bad boy do futebol que não deu certo na Europa e agora volta para se reecontrar.
Naquela época, suas credencias eram: Argentino (serve como tópico), meia habilidoso, camisa 10 clássico, por ser aquela carequinha que ficava fazendo firulinha com o Tevez na final da Copa América de 2004 e talvez o mais importante... o brigão que não dava certo em nenhum clube.
No seu primeiro treino vestindo o uniforme cinza e verde limão do Inter, deu um drible estranho em dois zagueiros do Inter. É engraçado mas talvez essa seja a maior lembrança que eu tenha do D'Alessandro. Rapidamente eu, com 14, corri na cozinha e chamei meu vô. "Olha vô! Olha o que o argentino do moicano fez no Bolívar!". Não demorou muito pra se encaixar no meio campo Colorado.
Que coisa, D'Alessandro ganhou tanto e melhorou tanto no Inter e inacreditavelmente eu consigo ainda lembrar que foi dito pela imprensa em 2009 que o Andrézinho devia ser titular no lugar dele, que o Montillo do Cruzeiro era infinitamente superior a ele, que ele podia ter ido a duas Copas do Mundo jogando pelo Inter e não foi e muitas outras coisas que me incomodaram durante esses quase 8 anos. Porque? Porque é coisa de fã, coisa de um torcedor que viu um cara que não só vestiu a camisa do Inter, mas que tatuou ela no corpo pra sempre.
Por isso, fico muito tranquilo com a ida dele pro River. Se não voltar? Tudo bem, já fez o quer tinha que ser feito. D'Alessandro nos deixou 10 canecos na prateleira, um sentimento único de raça e amor a um clube e ainda conseguiu fechar o tridente mais importante da história colorada: Falcão, Fernandão e agora... D'Alessandro.
Mas e nós? O que damos em troca? Bom, quando ele chegou ele até então tinha que provar muita coisa pra ele mesmo, agora não precisa provar mais nada. Precisava se acalmar? Bom, hoje ele é um pai de família que promove jogos beneficentes. A única coisa que lhe faltou de verdade foi jogar uma Copa do Mundo. Bom, azar da Copa. Muito obrigado Andrés D'Alessandro! Fizeste inúmeros domingos inesquecíveis em minha vida.
